A ética ecocêntrica considera o homem em sua casa oikos, em grego fundamentando o seu comportamento em relação à não apenas a si próprio, como em relação à natureza global de que faz parte.
Com a consolidação da visão ecocêntrica, a ética passa a uma natureza extrasocial, extrapolando os limites intersociais do homem. Nasce daí uma versão ética diferenciada do conceito tradicional.
É a ética ambiental, ou seja, um novo entendimento da vida, a compreensão de que a Terra é um ser vivo que pulsa com todos os seus seres, incluindo o homem em igualdade de condições com os demais.
Como conseqüência, o ser humano se vê tangido a rever sua ação habitualmente predatória em relação ao meio natural, entendendo que ele não é proprietário da natureza, mas parte dela, isto é, que a natureza não existe para servi-lo, mas para que ele possa sobreviver em harmonia com os demais seres.
Com essa percepção, o ser humano estará desenvolvendo cada vez mais uma visão holística do mundo, estabelecendo uma linha de coerência entre suas atitudes e a perspectiva conservacionista.
“O empenho de cada cidadão, coletividade e autoridade na Terra passa a ser no sentido de começar a conceber e a viver esta comunidade planetária de maneira positiva, de modo a considerar uma trama global de interdependência como a única condição para garantir e melhorar a qualidade de vida dos povos, dos grupos e dos indivíduos. O objetivo torna-se o dever ético de construir uma civilização na Terra e de inaugurar uma evolução em direção à convivência pacífica e ao desenvolvimento sustentável”.
“A idéia central de ética para a civilização tecnológica, desenvolvida pelo filósofo alemão contemporâneo Hans Jonas, constitui-se no dever e na responsabilidade do ser humano com relação à natureza e ao futuro das próximas gerações humanas sobre a Terra”.